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  [Artigos]  Desvendando a programação "Client/Server"
Publicado por Admin : Quinta, Dezembro 19, 2002 - 05:07 GMT-3 (12943 leituras)
Comentários 5 Comentários   Enviar esta notícia a um amigo Enviar para um amigo   Versão para Impressão Versão para impressão
Administrador O que é "Client/server"
A filosofia cliente/servidor nasceu do conceito de processamento distribuído, originalmente idealizados pelos desenvolvedores de sistemas operacionais de rede. É aquele tipo de invenção que começa direcionada para aplicações complexas, e um dia acaba vindo parar em nossas mãos, como a suspensão ativa e o telefone celular.

     Mas a idéia é muito simples. Você tem que envelopar 1.000 cartas, depois colá-las e pedir a um ajudante que as leve até o correio. Ora, que tal pedir para o ajudante ir colando algumas enquanto você ainda está envelopando outras? Isto é processamento distribuído, ou serviço distribuído. E é sobre este tão simples conceito que repousa a filosofia da programação cliente/servidor.

     Desta forma, a máquina cliente (a máquina do usuário final) não fica encarregada de todo o processamento. Ela funciona como front-end, sendo utilizada basicamente para entrada e visualização de dados. O processamento mais pesado é feito no servidor.

     O servidor recebe pedidos, ou requisições, do cliente e as processa, enviando imediatamente uma resposta. Para quem leu o primeiro artigo da série "O Delphi e a Internet" (publicado neste site) verá que os conceitos apresentados naquele artigos são similares aos agora mencionados.

     Mas como tudo isto acontece na prática? É necessário haver uma aplicação servidora, instalada em uma máquina, e uma aplicação cliente, instalada em outras máquinas. As aplicações cliente fazem pedidos à aplicação servidora, que as atende. Isto já deixa claro que o equipamento onde será instalada a aplicação servidora deve ser provido de maiores quantidades de recursos, tais como memória, disco e velocidade de processamento.

     No mundo comercial de hoje, o principal objetivo das organizações é processar dados, e disparar processamentos a estes relacionados. Assim, a aplicação servidora é na verdade um servidor de banco de dados. Nele são concentrados todos os dados da empresa, e podem ser concentrados ainda os processamentos ligados a estes dados, sobre o que falaremos a frente.

     O cliente é qualquer sistema que acesse o servidor, e que em nosso caso será uma aplicação Delphi. Como servidor (a título de exemplo) usaremos o Microsoft SQL Server 6.5, por ser muito fácil de usar, bastante robusto e relativamente barato.

     Quais são suas vantagens?
    
Mas talvez esteja agora perguntando: para que serve toda esta tecnologia, toda esta mudança nos métodos de programação? Qual será a real vantagem de se usar estas técnicas, se é que realmente existem alguma?

     Existem várias vantagens. Uma delas é a escalabilidade que a filosofia Client/Server oferece. Imagine que trabalhe com uma rede de 50 máquinas ligadas a apenas 1 servidor. Com o passar do tempo, cada vez mais sistemas são adicionados a esta rede, que vai ficando cada vez mais lenta. O processamento não é distribuído, ou seja, é feito sempre na parte cliente, e o servidor serve apenas para centralizar os dados. O que seria necessário para melhorar a performance da rede? Como o processamento é feito basicamente no lado cliente, precisaríamos acrescentar recursos aos 50 computadores clientes, talvez memória. Se decidíssemos adicionar 16 MB Ram em cada máquina, e se cada pente de 16 custasse R$ 35,00, teríamos um custo total de R$ 1.750,00. E este custo aumentaria muito se tivéssemos mais clientes na rede.

     Agora vamos mudar de cenário. Nesta rede rodam aplicações que adotaram a filosofia Client/Server. Deste modo, a maior parte do processamento é feito no servidor, digamos em nosso Sql Server. Assim, para melhorar a performance de toda a rede, seria necessário acrescentar recursos basicamente no equipamento servidor, que responderia mais rapidamente aos clientes, desafogando assim toda a rede. Digamos então que a decisão é adicionar 128 MB Ram ao equipamento servidor (o que representa uma significativa melhora). Chegaríamos a um custo de R$ 280,00, assumindo que compraríamos 8 pentes de 16 MB Ram. Este custo ainda poderia diminuir um pouco, levando-se em consideração que 2 pentes de 64 MB custariam um pouco menos do que 8 pentes de 16 MB.

     A escalabilidade que a filosofia Client/Server oferece é uma de suas grandes vantagens.

     Velocidade
     Os programas que operam com técnicas Client/Server trafegam uma quantidade muito menor de dados pela rede. Isto se dá porque o cliente faz um pedido ao servidor, e o pedido é todo processado por ele (o servidor), retornando apenas uma pequena quantidade de dados para o cliente como resposta. Assim, as únicas transações em rede são o pedido do cliente e a resposta do servidor.

     Isto deixa a rede muito mais leve, com menos tráfegos de dados. O resultado final, é um ganho na velocidade de todas as aplicações na rede. É claro que isto significa para nós programadores uma mudança na forma de programar, e até de analisar nossos sistemas. Em breve falaremos mais diretamente sobre este assunto.

     Segurança
    
A segurança é talvez a mais notável vantagem da filosofia Client/Server. Os servidores de banco de dados são muito robustos e preparados para fornecer a maior segurança possível. Os métodos de armazenamento e de cache já são em si mesmos uma grande fonte de segurança, e contam com os algoritmos mais complexos que se possa imaginar para garantir isso.

     Os sistemas de Backup, manuais e automáticos, disponibilizam à organização um grau ainda maior de segurança, oferecendo também uma grande flexibilidade para recuperar dados em pouco tempo.

     Quanto a nós, programadores, passamos a contar com um eficiente sistema de transações, que garantem aos nossos sistemas que processamentos não serão interrompidos no meio. Um exemplo disto é uma baixa de Nota Fiscal. Digamos que ao dar a baixa da Nota, o sistema lance duplicatas a receber, e lance também a saída no estoque. Se houver uma interrupção de energia, ou qualquer outro problema durante o processamento, pode acontecer que este seja interrompido no meio, deixando a Nota baixada, as duplicatas geradas e sem os lançamentos de saída no estoque. Este tipo de problema pode ser facilmente evitado usando-se as técnicas de transações oferecidas pelos sistemas gerenciadores de banco de dados, como o Sql Server.

     Mudanças de conceito
    
Mas algumas mudanças conceituais devem ser feitas. Os velhos e bons grids que exibiam todos os registros de uma tabela, e que permitiam ao usuário "passear" por estes registros, deixa de existir na programação Client/Server. O problema é que agora precisamos trafegar a menor quantidade de dados possível na rede, o que significa que não podemos abrir tabelas inteiras, ou usar comandos SQL do tipo "select * from tabelatal". As tabelas estão centralizadas no servidor, e se abrimos uma tabela, todos os seus registros trafegam pela rede até chegar ao equipamento cliente. Só então são aplicados filtros ou processamentos a estes dados.

     O que queremos é aplicar os filtros e processamentos na fonte dos dados, ou seja, no servidor. É por isso que passaremos a programar usando basicamente componentes TQuery, em nossos comandos SQL usaremos sempre a cláusula WHERE.

     Onde ficam as regras de negócios?
    
"Regras de negócios" é apenas um nome bonito para "rotinas de processamento". Assim, a pergunta é: onde ficam nossas rotinas de processamento? Sim, agora aquelas rotinas pesadas, tipo fechamento de mês, recalculo de saldos e outras mais, podem ficar tanto no servidor quanto no cliente.

     Quando as regras de negócio ficam no cliente, isto significa que as rotinas de processamento ficam em nosso programa Delphi, acessando os dados no servidor. A vantagem deste método é que o sistema inteiro pode ser migrado para um banco de dados diferente, sem grandes traumas. A desvantagem é que o processamento destas rotinas ficam um pouco mais lentos, e dependem da máquina cliente – se for uma máquina rápida, o processamento vai ser rápido, se for uma máquina lenta, o processamento vai ser lento.

     Quando as regras de negócio ficam no servidor, isto significa que as rotinas de processamento ficam no próprio servidor, acessando os dados ali mesmo. Neste caso, as rotinas de processamento devem ser escritas na linguagem que o servidor entenda, e armazenadas em unidades conhecidas como Store Procedures. A grande vantagem é a velocidade de processamento, que é muito maior. E a principal desvantagem é que em caso de uma eventual migração para outro banco de dados, seria necessário migrar todas as Store Procedures para o outro banco de dados, o que pode envolver muito trabalho, uma vez que as linguagens possuem muitas diferenças.


Comentários Comentários
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por: marioaugustosilva : Dez 21, 2002 - 01:32
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Um bom conceito de |Client/Serv


por: asf : Mar 11, 2004 - 05:12
(Informações sobre o membro | Enviar uma mensagem) http://
Muito legal, o texto utilizando uma linguagem prática e dinâmica, favorece o entendimento da máteria sobre Client/Server que tantos usuários acreditam que seja muito complicado.
Parabéns...


por: fabiofs : Mai 18, 2004 - 04:23
(Informações sobre o membro | Enviar uma mensagem)
Excelente conceito reduzido para o que venha a ser Client/Server mas achei que poderiam ser dado mais exemplos do dia a dia.


por: brunoalberto : Dez 14, 2004 - 12:48
(Informações sobre o membro | Enviar uma mensagem) http://http://
Mt boa a matéria


por: jmarcio82 (jmarcio82@hotmail.com) : Jan 07, 2010 - 10:52
(Informações sobre o membro | Enviar uma mensagem) http://eaglesweb.net
Gostei muito do artigo, parabéns!
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